É com essa frase que a gente começa esse texto, afinal, quando temos um relatório “As custas de quem? – A origem da riqueza e a construção da injustiça no colonialismo”, lançado por ocasião da reunião do Fórum Econômico de Davos 2025 (janeiro) que trata sobre a concentração de renda e suas condições no mundo, não imagino frase melhor. Os dados coletados e divulgados são da Organização Não Governamental Internacional Oxfam, e logo nos seus primeiros parágrafos temos a frase: “Nunca foi um tempo tão bom para ser um bilionário”.

Para zero surpresa de muitos (se você está no grupo daqueles que realmente serão surpreendidos, arisco dizer que você está na Matrix), a riqueza dos bilionários aumentou acentuadamente em 2024, com o ritmo de aumento três vezes mais rápido do que em 2023. Trilhões estão sendo doados como herança, criando uma nova oligarquia aristocrática que tem imenso poder em nossa política e em nossa economia.

A Oxfam constatou que “a riqueza dos bilionários aumentou em US$ 2 trilhões no ano de 2024, três vezes mais rápido que no ano anterior, enquanto o número de pessoas vivendo na pobreza mal mudou desde 1990”. Apenas para conhecimento, o último pico no ritmo de concentração de renda no mundo tinha sido durante a pandemia da Covid-19.

Aqui faço um destaque para o fato de que desde 1990 o número de pessoas que vivem na pobreza não mudou. Isso significa que não temos mais pobres no mundo, porém, isso também significa que as pessoas não conseguem sair desse situação. Mecanismos, ferramentass, políticas públicas, redistribuição da renda… Nada tem sido feito para tirar essas pessoas deste cenário aterrorizante.

Achando esses dados preocupantes? Prepare-se que ainda tem mais.

Os bilionários do mundo, pouco mais de 2.900 pessoas, enriqueceram, em média, US$ 2 milhões por dia. Os dez mais ricos do mundo enriqueceram, em média, US$ 100 milhões por dia.

Para ser ainda mais didático, alguém que receba um salário mínimo no Brasil demoraria 109 anos para receber R$ 2 milhões e, se a gente pegar a média da cotação atual do dólar, essa mesma pessoa iria demorar 650 anos para receber US$ 2 milhões.

Uma previsão anterior da Oxfam dizia que teríamos um trilionário em uma década. Diante deste novo cenário, se a coisa continuar neste ritmo, serão cinco trilionários em uma década.

Também neste mesmo relatório temos o dado de que os 10% mais ricos detém 45% de toda a riqueza do mundo. Vou escrever mais uma vez caso você não tenha entendido: os 10% mais ricos detém 45% de toda a riqueza do mundo.

E sabe por qual motivo o cenário global não é pior (como se ele já não fosse horrível)? Por causa da China. Exatamente isso. O estudo da Oxfam destaca que a China foi responsável por tirar centenas de milhares de pessoas da pobreza.

Resumindo: O relatório da Oxfam fala sobre a falta de distribuição social da riqueza. Sobre poucos concentrarem muito. Sobre a falta de políticas sociais para a população que mais precisa. Sobre exploração de trabalhos, vidas e territórios.

Então, repetindo a frase de Maria Carolina de Jesus: Quem inventou a fome são os que comem.


 

Dani Rabelo

 

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