Inteligência Artificial. São essas duas palavras que há algum tempo fazem com que eu pare alguns segundos do meu dia para refletir sobre o seu uso. E todas as vezes. Exatamente: todas as vezes eu só consigo achar que corremos o sério risco de piorar a quantidade de pessoas com a síndrome do “cérebro preguiçoso”. Nunca escutou falar nesta síndrome? Pois bem, ela é uma invenção minha e baseada em achismos.
Eu sei, eu sei… A IA veio para revolucionar, para ficar e para agilizar muitas coisas. No entanto, como a diferença entre um remédio e um veneno pode ser apenas a dosagem, você já deve perceber qual é a linha de raciocínio que vou apresentar.
Antes disso, preciso contextualizar que, caso você não saiba, sou formada em Comunicação Social (habilitação em jornalismo) e, por si só, já tenho traumas suficientes por várias vidas.
Dito isto, temos a chegada da IA. Com ela, a possibilidade de você inserir tópicos e eles transformarem-se em textos (escritores e roteiristas, nós jornalistas estamos com vocês – eu pelo menos estou).
E nem vou colocar aqui a não checagem das informações dadas pela IA. Sabe quando você encontra em uma foto criada pela IA uma pessoa com seis dedos? Então, já encontrei coisas em textos que são equivalentes. A pessoa não só deixou de revisar, como também não verificou que os dados estão corretos, se as informações são verdadeiras e coerentes.
Indo para um cenário melhor, temos o grupo de pessoas que checam as informações, revisam, no entanto, ainda assim, não redigem o texto. E essas pessoas teriam total condição de fazê-lo ou treinar para conseguir isso. Escrita também é treinamento e persistência. São essas pessoas que temo serem vítimas do “cérebro preguiçoso”.
Eu mesmo já me fiz essa pergunta: E se eu deixar o IA escrever meus textos, será que o meu mecanismo de formulação de frases, parágrafos…vai atrofiar? Será que essa parte do meu cérebro, com o passar do tempo, vai virar o que hoje é o apêndice (que não serve para nada e só ocupa espaço – e me fez ir para uma mesa de cirurgia aos 15 anos)?
Confesso que esse é um medo meu bem real.
Será que teremos no futuro estudos sobre isso? Um Globo Repórter mostrando radiografias de cérebros dos seres humanos do passado e pesquisadores fazendo testes com grupos de pessoas que não saberão escrever uma frase coerente? Catastrófica? Talvez, sim, talvez premonitória.
Se te assustei com a minha explanação, meu objetivo foi alcançado. Assim como qualquer parte do nosso corpo, o cérebro (e a capacidade dele de aprender, decodificar, ser criativo e outras coisinhas mais) precisa ser exercitado.
O problema não é demonizar a IA, é usar com sabedoria (grandes poderes, grandes responsabilidades – parafraseando o tio de um certo herói dos quadrinhos). Se nós criamos, nós precisamos ter o controle.
