Se você é nordestino, a notícia de que a festa popular preferida do brasileiro é a junina e não o carnaval não deve ser nenhuma surpresa. Conforme a pesquisa feita pela JLeiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Rouanet (divulgada pela Agência Brasil), a festa junina foi o evento mais citado entre os moradores das capitais brasileiras.

Eu sou uma pessoa que gosta demais de carnaval, mas, preciso reconhecer que a pesquisa está totalmente certa quando coloca que, além das festas juninas serem mais descentralizadas (sempre tem uma festa junina da empresa, da escola, da igreja, da rua, da – complete a frase), se comparadas com o carnaval, e acabam se estendendo por um período maior do ano (tem festa junina em julho!).

Uma contradição é que a mesma pesquisa verificou que, apesar de existirem festas juninas de grande porte (Campina Grande e Caruau são apenas algumas delas), elas ainda não conseguem ter a atenção e o destaque midiático dos desfiles das escolas de samba e dos grandes blocos de carnaval. Mesmo reunindo um número maior de pessoas, as festas juninas perdem a fama para o carnaval.

Tendo conhecimento da informação acima, e sabendo que as festas juninas são uma marca do Nordeste e que o carnaval é sinônimo do Sudeste (lê-se, Rio de Janeiro), alguma desconfiança por qual motivo a “festa do confete e serpentina” tem mais destaque na mídia? Seria pelo histórico da grande mídia invisibilizar o Nordeste ou caricaturar quando ele aparece? Temos aqui assunto para um bate papo muito bom.

Outro ponto interessante é que 78% dos frequentadores de eventos populares nas capitais participaram de festas juninas nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa e que 48% foram a desfiles ou participaram de blocos de carnaval. No entanto, sabe em qual capital essa porcentagem ficou praticamente empatada (ficando dentro da margem de erro)? Em Recife! Na capital pernambucana do frevo 75% das pessoas disseram frequentar as festas juninas e 71% a folia carnavalesca.

Voltando para o segundo parágrafo deste texto, eu disse que sou a pessoa que prefere o carnaval, porém, entretanto e, todavia, minhas raízes nordestinas não resistem ao toque da sanfona, ao rala bucho e bate coxa, comida de milho, cheiro de pólvora dos fogos de artifício e simpatias para Santo Antônio.

Dani Rabelo

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