Hoje a gente vai falar de um artista que sabia como ninguém misturar humor com crítica social. Se você conhece a Graúna, sabe que Henfil não era só um cartunista – ele era um verdadeiro manifestante de caneta na mão. E é sobre ele, Henrique Souza Filho, o Henfil, o texto de hoje.

Henfil nasceu em Minas Gerais, no dia 5 de fevereiro de 1944, e deixou sua marca como um dos maiores cartunistas do Brasil. Começou a desenhar aos 17 anos, ainda em terras mineiras, mas foi no Rio de Janeiro que seu nome explodiu. Ele brilhou em publicações como o Jornal do Brasil, mas foi no O Pasquim que ele mostrou todo o seu talento (e sua coragem).

O Humor que Dói (e Faz Pensar)

O diferencial de Henfil? Ele criava personagens que viviam no limite entre o riso e a crítica social. Com traços ousados e um humor afiado, ele transformava suas criações em verdadeiros manifestos visuais.

Irmão de Herbert de Souza, o Betinho (aquele mesmo da música “O Bêbado e a Equilibrista”), Henfil usava sua arte para falar da realidade brasileira. Sua caneta era um grito de liberdade em meio à censura e à repressão política da época. Ele não só desenhava, mas também denunciava, provocava e incomodava. E era exatamente isso que tornava seu trabalho tão poderoso.

Seus Personagens

Quem nunca viu a Graúna, aquela ave de bico grande e olhar crítico, falando o que muita gente pensava, mas não tinha coragem de dizer? E os Fradinhos, Baixim e Cumprido, com suas tiradas ácidas sobre a sociedade e a política? Ou ainda o Capitão Zeferino, o Bode Orelana e tantos outros que viraram ícones da cultura brasileira?

Esses personagens não eram só engraçados – eles eram a voz do povo, falando sobre desigualdade, injustiça e poder popular. Henfil tinha o dom de transformar o cotidiano em arte, e a arte em resistência.

O Legado que Não Envelhece

Em 2024, Henfil completaria 81 anos. E, mesmo depois de tanto tempo, sua obra continua atual. Ele nos lembra da importância de equilibrar o riso com a resistência, a crítica com a compaixão. Seu humor não era só pra fazer rir – era pra fazer pensar, refletir e agir.

Então, quando você vir uma Graúna por aí (ou qualquer um dos seus personagens), lembre-se: Henfil não era só um cartunista. Ele era um revolucionário de traços simples e ideias gigantes. E, como ele mesmo dizia, o humor que vale é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime.

Dani Rabelo

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