No dia 13 de fevereiro de 1925, nascia na Paraíba uma mulher que se tornaria uma das líderes camponesas mais notáveis da história do Brasil: Elizabeth Teixeira. Ao completar cem anos, sua trajetória de luta e resistência merece ser lembrada e celebrada.

Elizabeth Teixeira dedicou sua vida à luta pela terra. Foi perseguida pela ditadura militar e por jagunços, enfrentando ameaças constantes após o assassinato de seu companheiro, João Pedro Teixeira, em 1962. Vivendo na clandestinidade, ela continuou a desafiar as forças opressoras e reivindicar justiça para os camponeses.

Nos anos 1960, o Nordeste brasileiro fervilhava com a resistência das Ligas Camponesas, que emergiram na Paraíba e em Pernambuco. Este movimento foi crucial na luta pela reforma agrária no país. No entanto, a repressão também crescia, e a violência no campo aumentava com o objetivo claro de expulsar os camponeses de suas terras.

João Pedro Teixeira, um dos líderes das Ligas, sabia dos riscos que corria após o encontro de camponeses em Sapé, Paraíba, em 1955. Em 2 de abril de 1962, ele foi morto em uma emboscada. Elizabeth, então, assumiu a liderança e as consequências dessa luta.

Em 2015, acompanhando o vereador Fuba (de João Pessoa/PB) no convite para Elizabeth Teixeira receber a Medalha Margarida Maria Alves

Demonstrando uma notável capacidade de liderança, Elizabeth assumiu a presidência da Liga Camponesa de Sapé e das Ligas da Paraíba até 1964. Sob sua liderança, a resistência camponesa cresceu, o número de associados dobrou, e as mulheres tiveram um papel ainda mais ativo na luta. Novas ligas foram criadas, reforçando o movimento.

Em 1964, com apenas 39 anos e mãe de onze filhos, Elizabeth enfrentou a perseguição dos militares e dos latifundiários. Após o golpe militar, foi presa por oito meses e sua casa foi incendiada. Nesse período trágico, uma de suas filhas, atormentada pela perda do pai e a prisão da mãe, tirou a própria vida. Dois de seus filhos também foram assassinados.

Ao sair da prisão, Elizabeth decidiu proteger o que restava de sua família. Mudou-se de cidade, adotou um novo nome e trabalhou como empregada doméstica e lavadeira. Mesmo assim, continuou fugindo da política e da polícia, exilada do mundo por quase duas décadas.

Em 1984, sua história ganhou visibilidade com o lançamento do documentário “Cabra Marcado para Morrer”, onde Elizabeth interpretou a si mesma, contando tanto a história de João Pedro Teixeira quanto a sua própria.

A vida de Elizabeth Teixeira foi marcada por lutas, violência, mas, acima de tudo, por uma coragem inabalável e um desejo profundo de transformar o mundo. Sua história é um testemunho poderoso da resistência e resiliência de uma mulher que nunca desistiu de lutar por justiça e dignidade para os camponeses brasileiros.

Dani Rabelo

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