Pois bem, depois de passar pela leitura do primeiro volume da série “Para Nova York, com Amor”, de Sarah Morgan (Amor em Manhattan), cheguei à história do casal Frankie e Matt. Antes de apresentar as minhas percepções sobre o livro, preciso sugerir que você leia a resenha do primeiro livro. Lá, trago alguns apontamentos associando essa série de livros com a série de TV “Friends”.

Tendo como fio condutor a resenha do primeiro livro, vou direto ao ponto: “Pôr do Sol no Central Park” tinha tudo para me cativar, mas… não cativou. Não é que não gostei (dei até quatro estrelas), porém, se na história de Paige e Jake tivemos um belo “feijão com arroz”, na narrativa sobre Frankie e Matt tive a experiência de quem escolhe um sanduíche pela foto do cardápio, mas se depara com algo mais sem graça (ainda que gostoso).

A história de Frankie me cativou no primeiro livro (por questões pessoais) e eu estava bem curiosa para saber como seria a caminhada dela até o encontro com os sentimentos de Matt. Já Matt… ah, o Matt… é a personificação do rapaz “Merthiolate”, a cura de todos os problemas, e isso é perigoso em um nível estratosférico.

Voltando para Frankie, é fato que, das três amigas, ela (essa é a minha percepção) possui uma história de vida mais densa. Sim, Paige passou por uma doença e Eva pela morte da avó, porém, ainda assim vejo que Frankie foi a mais atingida pelos efeitos do passado de seus pais.

Sem entrar em detalhes, essa foi a parte que me causou agonia. Me fez repensar e relembrar vivências pessoais, e ainda assim, mesmo me conectando tanto com a personagem e sendo totalmente empática, houve momentos (e não foram poucos) em que essas questões da Frankie me enfadaram. Me enfadaram no nível de revirada de olhos e respiradas profundas.

Me incomodou esse “ata e desata” dos seus sentimentos. Me senti em um jogo em que a peça caminha cinco passos e se depara com a mensagem: volte quatro casas. E isso repetidamente. Outro ponto que preciso adicionar é a preocupação que senti com o fato de todas as fichas que ela colocou em Matt.

Sim, Matt é o cara protetor com uma pegada de salvador, porém, não é pelo fato de ele ser assim que você precisa embarcar nessa onda. Resumindo: quem precisa “consertar” Frankie é a própria Frankie. É como se ela saísse de uma “independência” emocional extrema para uma “dependência” emocional preocupante.

Dito isso, não foi fácil me envolver na história dos dois personagens, o que me fez migrar a atenção para os demais membros da narrativa. Amei a presença maior da Eva (e estou com altas expectativas para o próximo livro) e foi impactante as questões colocadas sobre a violência doméstica sofrida por Rory (e fiquei com a pulga atrás da orelha se teremos um livro sobre ela e James – não fui atrás dessa informação). Queria mais Paige e Jake? Sim.

Para não dizer que não falei sobre Matt (tirando os pontos que coloquei acima), ele é fofo, protetor, romântico… mocinho do melhor filme da Sessão da Tarde (e esses são os mesmos pontos que me obrigaram a acender um sinal amarelo). Vibrei quando ele “perdeu a paciência”. Eu teria feito isso muitos capítulos antes, mas, antes tarde do que mais tarde. Acho que ele e Frankie formaram um bom casal? Sim, porém, com muitas ressalvas.

Indo para os finalmente nesta resenha, alguém me diga o que foi o capítulo em que Frankie decide encarar a relação deles (fica o registro de que ela precisa de um psicólogo antes mesmo de ter um namorado – ou marido)? Ela prendendo o ex de Rory e se declarando para Matt. Se isso foi para demonstrar o quanto ela é forte e independente, para mim não funcionou. O resultado, para mim, foi uma cena pitoresca e nada romântica. Me perdi entre tantas coisas que estavam acontecendo naquele momento: o cara no chão xingando, a gata com as patas machucadas, Frankie se declarando, Matt olhando aquilo tudo, a polícia sendo chamada…

Se você terminou de ler essa resenha perguntando por qual motivo dei quatro estrelas, saiba que estou, neste exato momento, me perguntando a mesma coisa. Pode ser apego pela série como um todo, um voto de confiança para os próximos livros, respeito pela autora, sinceramente eu não sei.

Dani Rabelo

Um comentário em “Resenha Literária: Um sanduíche bonito na foto do cardápio e sem graça ao vivo

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