Hoje, 21 de fevereiro, poderia ser uma data como qualquer outra. No entanto, para nós, da esquerda, é o Dia dos Livros Vermelhos. Quando eu explicar a escolha dessa data, tudo fará sentido.
No dia 21 de fevereiro de 1848, foi lançado o “Manifesto Comunista”, uma obra de Karl Marx e Friedrich Engels. O texto oferece um diagnóstico das condições de trabalho dos operários na Inglaterra, marcadas pela exploração promovida pelo sistema capitalista.
O “Manifesto Comunista” foi encomendado pela “Liga dos Justos”, que posteriormente mudou seu nome para “Liga dos Comunistas”. Apesar de sua antiguidade, o manifesto, infelizmente (mas não é uma surpresa, afinal, o capitalismo ainda está presente e mais voraz), continua bastante atual.
É um verdadeiro “divisor de águas” entre os livros que tratam da opressão da classe trabalhadora e das formas de mudança desse cenário através do comunismo, tudo isso surgindo da luta operária.
Quer uma frase clássica do “Manifesto Comunista”?
“Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões.”
Agora você entende o nome da data e o que ela comemora?
O Dia do Livro Vermelho surgiu em 2020 e, desde então, coletivos de editoras de esquerda, partidos de esquerda, sindicatos, movimentos de agricultores, organizações estudantis, bibliotecas e grupos de arte e literatura se reúnem em vários países para manter viva a cultura de esquerda por meio dos livros vermelhos.
Com base em toda essa acumulação de experiências das lutas operárias e dos temas debatidos, existem, em todo o mundo, diversos livros que atualizam esse tema, de acordo com a época e a realidade de cada local.
Para você ter uma ideia, o sociólogo Florestan Fernandes tem seu “livro vermelho”, intitulado “A Revolução Burguesa no Brasil”. Nele, ele utiliza as bases e conceitos concebidos pelos comunistas ingleses para escrever sobre a burguesia brasileira.
Já a socióloga Heleieth Saffioti escreveu “Gênero, Patriarcado, Violência”. Neste “livro vermelho”, encontramos a atualização do trabalho de Marx e Engels a partir da realidade das mulheres brasileiras.
Agora me conte uma coisa: Qual é o seu “livro vermelho” preferido?
