Eu sei, eu sei… Estou mega atrasada com as resenhas dos livros que já foram lidos (e que merecem um texto com algumas ponderações que considero super importantes para quem ainda não sabe se vale a leitura, para quem já decidiu que vai encarar o livro e para quem já tem uma opinião formada após a leitura). Enfim, a boa notícia é que esta é a resenha do livro que me ganhou e me emocionou de formas diferentes: AMOR EM CORES, da Bolu Babalola.

Se você é da turma que ainda não leu, deixo logo um resumo sobre a minha opinião: Leia! Cinco estrelas (poucos livros ganham essa pontuação comigo) e favorito (tão raro comigo como achar o palito premiado da promoção do picolé da Kibon).

Seguindo com esta resenha que, sim, será emocionadíssima, AMOR EM CORES é o primeiro livro da Bolu Babalola, “uma jornalista, escritora e amante do amor” nigeriana-britânica. A obra é uma coletânea de contos com histórias inspiradas em mitologias ao redor do mundo. Sei que algumas pessoas não se sentem atraídas em ler introduções, agradecimentos e notas dos autores, no entanto, você realmente precisa dedicar mais alguns minutos para essa parte do livro. Esses textos são tão importantes quanto os demais contos. Acredite!

No total são 13 histórias de personagens femininas, e a Bolu faz uma releitura dos relatos “originais” adaptando para épocas e cenários diferentes. Teremos Oxum como uma estudante, Psiquê como jornalista de uma revista, Naleli como uma adolescente, Nefertiti como a dona de uma casa noturna exclusiva para mulheres… Enredos que se passam atualmente, em um tempo passado…

Uma coisa importante é dizer que o conto é uma narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação. E a Bolu sabe muito bem escrever contos. Apesar das histórias serem curtas, elas são muito bem contadas. Você consegue se envolver com o enredo, com os personagens e não sente falta de nenhuma página extra. Sim, algumas histórias poderiam ser transformadas em romances? Com certeza, porém, como contos, elas funcionam muito, muito bem.

O fato de todas as histórias terem protagonistas negras foi algo que me encantou e me emocionou. Quantas leituras você faz com personagens negros? Tenho certeza de que talvez você nunca tenha lido, ou, se leu, é um número infinitamente menor se comparado com os livros que nos apresentam “mocinhas e mocinhos” brancos. O que a Bolu fez é de uma importância gigante.

Alguns personagens também fazem parte das religiões de matriz africana, e isso engrandece ainda mais essa obra. O conhecimento faz parte da evolução do ser humano. Conhecimento faz parte do processo para quebra de preconceitos, então, se você é de alguma religião que abomina algumas das personagens desse livro, permita-se. Quebre as suas barreiras. Evolua e entenda que o respeito é algo imprescindível.

E já que estou falando sobre o conteúdo dos contos, uma salva de palmas para as temáticas. Temos críticas sociais, de comportamento, de classes e econômicas. Fala-se sobre preconceito e machismo, mas também temos muito amor e muita amizade. Temos casais homoafetivos, temos reencontros, superação e descobertas.

Apesar de termos personagens masculinos importantes, não se iluda, o foco aqui são as mulheres. Elas são as protagonistas. Elas possuem a narrativa e conduzem as histórias nos levando para dentro de seus pensamentos e sentimentos. A gente se sente amiga delas, com direito a querer puxar a orelha e festejar cada conquista.

Diante de tudo o que já escrevi, percebe-se o quanto amei essa leitura, mas… confesso que a experiência pode ser potencialmente maior se você já conhece (mesmo que superficialmente) a verdadeira história das protagonistas. Certo. Deixe-me explicar melhor. Quando você sabe como foi a vida de Nefertiti consegue fazer a ligação do universo real com o universo criado pela autora. Você consegue fazer as associações, e essa sensação é muito legal.

No entanto, se você não conhece nada sobre as personagens do livro não se preocupe. A sua experiência continuará sendo maravilhosa, você apenas não conseguirá fazer esse link, e está tudo certo. Eu só deixo a sugestão para que depois da leitura você pesquise sobre elas. Também vai ser algo muito bom!

Agora termino a resenha com a frase que mais me marcou: “Ser parte da máquina que faz as coisas é ótimo, mas eu quero ser o gerador”.

Leia AMOR EM CORES. Leia!

Dani Rabelo

2 comentários em “Resenha Literária: Mil cores de representatividade, críticas sociais e amor

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