E um filme brasileiro, falado em português,  ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Ainda Estou Aqui”, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, entra para a história.

Entendem que o filme que ganhou destaque em todo o mundo fala sobre algo que ainda se tenta desvirtuar e até mesmo negar? Entendem que Fernanda Torres concorreu como Melhor Atriz interpretando Eunice Paiva, uma mulher que teve que enfrentar o desaparecimento e assassinato do marido pela ditadura? Entendem que Selton Mello interpretou um homem que foi arrancado de sua família e nunca mais voltou (e estamos falando do deputado Rubens Paiva)?

Fizemos história, mas essa história foi construída a partir de um dos piores momentos do Brasil. Ganhar o Oscar me deixou um sabor agridoce na boca. A alegria de ver o Brasil sendo reverenciado pelo mundo, mas através do relato de uma família que vivenciou os horrores da Ditadura.

“Ainda Estou Aqui” ganhou a maior premiação do cinema mundial falando sobre a ditadura brasileira e seus horrores. Uma derrota para o bolsonarismo. Uma derrota para quem chama o Golpe Militar de Revolução. Uma derrota para aqueles que justificam as prisões feitas pelos militares. Rubens Paiva era do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e nunca foi filiado ao PCB. Nunca lavou dinheiro para o PCB e não financiou a luta armada.

A história de Eunice Paiva escancara a crueldade de um governo autoritário. Foram muitos Rubens e muitas Eunices. Foram muitas crianças que viram seus pais sendo torturados. Muita violência e muita dor.

“Ainda Estou Aqui” ganha o Oscar narrando um Brasil de horror e terror. Não foi uma ficção e não foram utilizados subterfúgios para contar essa história. Nada de metáforas e nenhuma sutilidade. A história crua e seca. A vida, a luta, o luto e a revolta de quem ficou.

Como disse acima, “ganhar o Oscar me deixou um sabor agridoce na boca”, mas, como disse Eunice Paiva: “Nós vamos sorrir. Sorriam!”

Dani Rabelo

Deixe um comentário