A Câmara dos Deputados instalou uma Frente Parlamentar para fortalecer o combate aos golpes cometidos nos ambientes digitais. No Brasil, 24% da população já foi vitimada por esse tipo de crime, de acordo com a pesquisa do Instituto DataSenado, divulgada em outubro de 2024. Ainda segundo a pesquisa, o Rio Grande do Norte desponta como o estado nordestino com a maior incidência de vítimas de golpes. O perfil delas? A maioria são mulheres, ganham até dois salários mínimos, são as únicas responsáveis pelo sustento da família e estão endividadas.
Te soou familiar? Eu fui uma dessas vítimas. Após contato e muitas mensagens trocadas via whatsapp, fotos e vídeos, recebi a confirmação da venda do meu celular através de um e-mail da OLX. Era lá que estava o anúncio. Prontamente entreguei o aparelho. Logo após recebi uma mensagem eletrônica pedindo o pagamento de uma taxa (??). Em contato com a plataforma, fui informada que não havia venda notificada para mim.
Eu caí num golpe. Logo eu, jornalista formada, em contato diário com sites, notícias, “heavy user” de redes sociais. Choro, raiva. “Por que eu? Por queeeeeeee?” Passados os dez minutos do choque, lá vou eu com todos os prints, fotos e vídeos na delegacia. Nenhum questionamento ou julgamento por parte do escrivão da Polícia Civil. Para ele eu estava relatando um fato. Triste. Mas apenas um fato. Assinado o boletim de ocorrência, e agora, o que eu faço com isso?
Após um golpe virtual, a pessoa tende a perder a autoestima, a confiança e a coragem, ela muitas vezes se sente violada, traída e envergonhada. Sente-se culpada por ter caído na armadilha, acreditando que deveria ter sido mais cuidadosa. Esse sentimento de vergonha é intensificado pela percepção de que poderia ter evitado a situação, o que pode levar ao isolamento social e ao medo de pedir ajuda. Um quadro que a psicologia chama de síndrome do desamparo. Qualquer semelhança com minha situação não é mera coincidência.
Para escrever esse texto, eu fui coletar dados e ler artigos sobre esse tipo de crime. Entender por que logo eu. Acabei enxergando que eu não fui escolhida a dedo, que eu não estou sozinha (É estranho pensar assim?). Eu não sou especial, diferente, nem maior nem menor do que sou. Fui pega em um momento de distração.
Mãe quase nunca erra, mas a minha errou quando disse que eu não era todo mundo. Sou igual a 40,85 milhões de pessoas que perderam dinheiro em função de algum crime cibernético. E voltando à pergunta: o que eu faço com isso? Eu vou fazer terapia.
