Se você for pesquisar sobre as datas comemorativas, vai descobrir “trocentas” datas. Algumas vão te fazer rir (não vou citar aqui para não ofender os homenageados), e muitas , super pertinentes. Entre essas datas que não resultam em um feriado nacional, porém são demasiadamente importantes, temos o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil – que acontece no dia 2 de abril.
A data celebra o nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, considerado um dos principais nomes da literatura mundial. Sabia que ele é o autor de “A Pequena Sereia”?
A decisão da data foi do Conselho Internacional sobre Literatura para Jovens (IBBY, sigla em inglês para International Board on Books for Young People), que, em 1967, viu nisso uma possibilidade de despertar o amor pela leitura e celebrar os livros infantis.
Apesar de a data ser intitulada “Dia do Livro Infantil”, também se celebra tudo aquilo que envolve o universo literário infantil: autores, leitores, obras, contos de fadas e fábulas.
Mas quem foi Hans Christian Andersen?
O escritor Hans Christian Andersen nasceu na Dinamarca, em 2 de abril de 1805. Era filho de um sapateiro e uma lavadeira e foi estimulado, desde a infância, a ter contato com obras literárias.
Seu pai faleceu em 1816, e, com isso, ele precisou trabalhar em fábricas. Lá, aproveitava para contar histórias e cantar para os colegas, o que fez com que perdesse o emprego em duas delas. Aos 14 anos, decidiu ser cantor e ator, mas não teve sucesso.
Em 1828, passou a dedicar-se à literatura, influenciado pelo Romantismo. Andersen escreveu inúmeros livros. Talvez você conheça muitos deles – se não o livro, pelo menos sua adaptação para a telinha ou telona em forma de animação.
Alguns de seus clássicos:
- A Rainha da Neve;
- A Pequena Sereia;
- Os Sapatos Vermelhos;
- O Soldadinho de Chumbo;
- O Patinho Feio;
- A Pequena Vendedora de Fósforos;
- A Princesa e a Ervilha;
- A Polegarzinha.
Sua morte aconteceu em 4 de agosto de 1875, mas ele se tornou imortal devido à sua obra. Em sua homenagem, além do Dia Internacional do Livro Infantil, também foi criado o Prêmio Hans Christian Andersen. Desde 1956, a cada dois anos, escritores e ilustradores de literatura infantojuvenil são premiados com a medalha Hans Christian Andersen.
“Eu e os livros infantis”
Preciso logo dizer que não seria quem sou se não tivesse sido instigada a ler desde criança. Tenho sorte de ainda ter meu primeiro livro infantil, e com uma dedicatória muito, muito especial.
Em 1988, meu pai me presenteou com o livro “Os Três Joãozinhos e a Trilha Secreta”, de David de Carvalho, e na primeira página escreveu:
“Para minha querida filha Daniela. Que este seu primeiro livro marque o início de uma grande quantidade que ela irá ler durante toda a sua vida”.
E esse, eu considero, foi o pontapé inicial da minha vida como leitora. Entre os livros de Hans Christian Andersen, li vários e, curiosamente, não fui leitora das princesas da Disney. Claro que, na minha época de criança, não havia tantas princesas assim, mas nem as clássicas eu li. Lia muita literatura infantil de autores nacionais. Gostaria de lembrar os nomes desses livros, mas minha memória não registrou isso com exatidão.
Um pouquinho mais velha, com uns 8 ou 9 anos, descobri a biblioteca. Estudei em uma escola que tinha uma biblioteca incrível. Em outro momento, quero escrever sobre a importância de bibliotecas, sejam em escolas ou em espaços públicos, pois elas fomentam a formação de novos leitores.
Mas, voltando… Eu frequentava essa biblioteca durante o recreio e no final das aulas. Lia uns 7 livros por semana. Uma mini-traça que já era amiga da bibliotecária e já fazia resenhas orais dos livros lidos.
Mudando de estado, cidade e escola, já não tinha mais uma biblioteca disponível (a da nova escola era infinitamente menor, com menos livros e, acredite, ficava fechada para os alunos. Pode isso, Arnaldo?). O resultado foi a redução do meu consumo de livros infantis (restrinji-me aos paradidáticos indicados pela escola) e migrei para os gibis (obrigada, Maurício de Sousa).
Sobre os paradidáticos, toda honra para a Coleção Vaga-Lume e autores como Luiz Puntel, Pedro Bandeira, Marçal Aquino… Foi a partir deles que comecei a questionar assuntos como desigualdade social, drogas, Ditadura Militar, amizade…
Quando a lista do material chegava, eu logo corria para ver quais livros iríamos ler durante o ano. Como tenho uma irmã mais velha, alguns livros já estavam em casa, e lá eu ia lê-los. Na verdade, antes mesmo de as aulas começarem, eu já havia lido todos, e fazia várias releituras no decorrer do ano.
Esse breve – ou não tão breve assim – relato é para provar o quanto a literatura infantil é poderosa. São histórias curtas (apenas com frases trabalhadas em metáforas e ilustrações que encantam), mas que pavimentam a estrada para o leitor ou a leitora que você poderá ser um dia.
Para as escritoras e escritores de livros infantis, todo o meu respeito e agradecimento. Posso até não lembrar mais de suas histórias, mas elas continuam dentro de mim. Na verdade, caminham comigo até hoje.
E, pai, o senhor estava certo.
