No dia 25 de abril, acordamos com a notícia da prisão do ex-presidente e ex-senador Fernando Collor de Mello. A prisão ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, rejeitar os últimos recursos apresentados pela defesa contra sua condenação a 8 anos e 10 meses de prisão.

A decisão do ministro do STF está ligada a um dos desdobramentos da Operação Lava Jato, na qual Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos da BR Distribuidora.

Diante dessa notícia, vale relembrar parte da trajetória de Fernando Collor de Mello, especialmente a partir de 1989, ano da primeira eleição presidencial após a ditadura militar. Além de Collor, outros oito candidatos concorreram, entre eles Lula, Brizola, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf e, por um breve período, Silvio Santos, que logo teve a sua candidatura invalidada

Collor, um político alagoano até então desconhecido no cenário nacional, tornou-se o “menino dos olhos” da grande mídia e da elite. Com um discurso de “colocar o país em ordem”, sua imagem jovem (ele tinha 38 anos) e carismática (segundo a opinião pública da época) conquistou o apoio da Rede Globo e da revista Veja, que o apelidou de “caçador de marajás”.

Sua vitória no segundo turno foi marcada pela manipulação midiática, especialmente pela Globo, que detinha quase um monopólio na comunicação. O Jornal Nacional exibiu, na véspera da eleição, os melhores momentos do último debate, editados para favorecer Collor – um caso que hoje é estudado em cursos de comunicação.

Em 1990, Collor assumiu a presidência, mas seus cem primeiros dias de governo já revelaram escândalos de corrupção envolvendo seu tesoureiro, PC Farias. A má gestão, os fracassados planos econômicos (Collor I e II) e o confisco das poupanças levaram empresas à falência e cidadãos à ruína. O descontentamento popular explodiu no movimento dos Caras Pintadas, liderado por estudantes como Lindenberg Farias (presidente da União Nacional dos Estudantes e hoje é deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores – PT), que usavam preto e pintavam os “ll” do nome Collor com verde e amarelo fazendo uma referência ao seu material da campanha eleitoral.

Em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados votou pelo impeachment de Collor, com 441 votos a favor. Itamar Franco assumiu a presidência, e Collor teve seus direitos políticos cassados pelo Senado em dezembro daquele ano – mesmo após tentar renunciar para evitar a punição.

Absolvido em 1994 pelo STF (mas mantida a suspensão de seus direitos políticos), Collor retornou à cena política em 2002, sendo eleito senador por Alagoas em 2006 e reeleito em 2014. Suas tentativas de governar Alagoas (2002, 2010 e 2022) fracassaram.

Sua prisão em 2024, determinada por Alexandre de Moraes, deve cumprida em Maceió. O caso ainda será analisado pelo plenário do STF.

A história de Fernando Collor é um reflexo — e serve como lição — sobre diversos pontos, entre eles, o poder da mídia e a importância da mobilização popular. Como disse Lindenberg Farias, o impeachment de Collor uniu o país, enquanto o impeachment (que na verdade foi um golpe) contra a presidenta Dilma causou um racha.

Dani Rabelo

Deixe um comentário