A semana começou e me peguei pensando ainda sobre a semana passada.
Saímos da mídia brasileira deixando de dar destaque para uma visita de grande importância para o país, afinal, estávamos no 4º Fórum China-Celac, mas, debruçando-se atenciosamente sobre o vazamento de uma conversa em um jantar privado. Ah! Não posso deixar de destacar que, ao ouvir um programa de rádio da mídia hegemônica, escutei uma das comentaristas dizendo que o Brasil tinha pedido para a China controlar “conteúdos do TikTok”. Faltou apenas uma coisa: a comentarista dizer que esses conteúdos são os que propagam violência, mentiras e que são criminosos.
E por qual motivo faço essa consideração? Pelo simples fato de que, ao dar uma informação incompleta, a mídia hegemônica permite que as pessoas completem a frase, e esse complemento geralmente é uma mentira. A comentarista não falou uma mentira, mas deixou de complementar com a verdade. Entende o perigo disso?
Não vou entrar no mérito de quem falou ou quem vazou (apesar de achar que isso precisa ser apurado). Meu incômodo é sobre como a mídia hegemônica fica de prontidão para agarrar a “mínima vacilada” do governo, ou até mesmo construir ou potencializar algo que, em outras condições, poderia ter sido abordado de outra forma (ou nem isso).
Dentro disso, me pergunto até quando os governos de esquerda vão escolher “acender velas” para a mídia hegemônica. Será que em todo o tempo que estivemos na presidência da República não existia a menor, a mínima possibilidade de, pelo menos, tentar mudar para qual lado a coisa pesa mais? Se não dava para mudar completamente, ao menos tentar equilibrar, um pouco que fosse, os investimentos e a atenção dada a essas grandes empresas de comunicação. Empresas essas que são concessões públicas, mas se portam como donas e proprietárias desses espaços.
Será que nunca teremos, no mínimo, a tentativa de “sair das cordas”, sair desse lugar de dependência da mídia hegemônica para se comunicar com a sociedade?
Será que algum dia a esquerda irá entender a importância de fortalecer a imprensa que muitos chamam de progressista?
A concorrência é desleal. Enquanto a imprensa que exige um governo subserviente ao mercado, aos EUA e à sua classe dominante, que estrebucha ao ouvir coisas como “políticas públicas”, “investimentos sociais”, “redução dos juros” e afins, recebe verbas publicitárias, entrevistas exclusivas e furos de reportagem. Do outro lado, nos deparamos com empresas com profissionais qualificados, conscientes do seu poder social, se virando para ampliar o seu alcance, divulgando aquilo que “os grandes” omitem e desmentindo mentiras.
Se o nosso caminhar continuar sendo esse, as benfeitorias de mais um mandato serão invisibilizadas e os holofotes irão para apenas, e somente, aquilo que eles querem. O que nunca é bom para o nosso lado. Nunca.
