E terminamos a semana com a notícia do pedido de desculpas e a decisão, por unanimidade, da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania pela anistia à ex-presidente Dilma Rousseff. Exatamente no dia 22 de maio de 2025, foi reconhecida a perseguição e a tortura realizadas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. 

Talvez você não entenda a importância disso. Talvez você não entenda o significado dessa anistia e desse pedido oficial de desculpas. Talvez você não tenha compreendido o quanto de violência o Estado e a sociedade brasileira infligiram a Dilma Rousseff. 

E como relembrar a história é importante para que não permitamos que algo minimamente semelhante aconteça, destaco aqui que ela foi presa aos 22 anos (em 1970) e passou três anos sendo torturada. 

Dilma sofreu a tortura na sua carne e presenciou a tortura em suas amigas e em outras mulheres que talvez nunca tivesse visto antes. Ela viu a sanidade se esvaindo de algumas, a esperança dando lugar ao desespero e a vida sendo finalizada após tanta dor. 

A tortura não foi “apenas” no seu corpo. Foi na sua mente e na sua alma, mas ela… ela sobreviveu. 

Nunca saberemos exatamente a que custo. Quais fantasmas ainda a assolam, e creio que ninguém jamais saberá. 

O que sabemos é que ela não se entregou e não entregou seus companheiros. Sua dor pela vida de tantos. Sua dor pela possibilidade de que outras pessoas não passassem por algo semelhante. Eu não sei se eu aguentaria. Eu não sei se você aguentaria. Dilma? Ela aguentou. Ela ainda aguenta. 

Mas não deveria ter precisado aguentar. 

Ninguém deveria ter passado por isso. Não deveriam existir gritos, choros, porões, torturadores, censura, ditadura… 

A decisão da Comissão é por tudo o que ela passou durante a ditadura militar, porém, bem que poderia ser por tudo o que ela passou logo após a sua reeleição, em 2015, e que resultou no golpe de 31 de agosto de 2016. 

Também não sei se você vai aceitar essas desculpas. E sabemos que não temos o direito de cobrar isso de você. 

E fazendo minhas as palavras da presidente da comissão, a procuradora federal aposentada Ana Maria Oliveira: “Nós queremos também lhe agradecer pela sua incansável luta pela democracia brasileira, pela sua incansável luta pelo povo brasileiro”.

Minha Presidenta Dilma Rousseff, obrigada por se manter viva, e realmente não sei se ainda conseguiremos te proporcionar o reconhecimento que você merece. 

Dani Rabelo

Deixe um comentário