Mais uma vez, a lista de livros mais vendidos da semana, divulgada pelo PublishNews, traz um fenômeno que não passa despercebido: em primeiro lugar, está um livro de colorir. E não é só isso. Dos 20 títulos mais vendidos, 12 são livros de colorir, ocupando inclusive as cinco primeiras posições. Esses dados são baseados nas vendas de 49 redes e livrarias brasileiras entre 12 e 18 de maio de 2025, e mostram uma tendência que não para de crescer.
Mas o que há de diferente nessa nova onda?
Esses livros não são novidade. Durante a pandemia, eles já haviam conquistado o público adulto, mas com um estilo mais sofisticado: mandalas, arabescos, padrões complexos. Agora, porém, o destaque está nas ilustrações fofinhas, quase infantis. Bichinhos em cenários cotidianos—na varanda, enfeitando a árvore de Natal, na escola—e até versões devocionais entraram na moda.
Não dá para negar que colorir é terapêutico. Desde a infância, essa atividade estimula a criatividade, a concentração e a exploração de cores. Um céu não precisa ser azul, uma árvore pode ter folhas rosa—e tudo bem! Para os adultos, a prática ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, funcionando como uma forma de arteterapia.
Mas, como sempre, o capitalismo entra em cena e transforma algo simples em um objeto de consumo desenfreado.
Uma coisa é você comprar um livro de colorir e um kit básico de lápis de cor. Outra é sentir que, para participar do movimento, você precisa ter:
> Dez livros diferentes ao mesmo tempo;
> Um estoque de 300 canetinhas profissionais;
> Habilidades artísticas quase profissionais (porque agora não basta pintar—tem que ter textura, luz e sombra).
O que era para ser um passatempo relaxante se torna mais uma fonte de pressão. E aí, a pergunta que fica: será que o capitalismo consegue estragar até algo tão simples?
A polêmica não para por aí. A União Brasileira de Escritores (UBE) emitiu uma nota criticando o uso de vouchers públicos para a compra de livros de colorir. Segundo a entidade, esses recursos deveriam ser destinados a livros de literatura, não a publicações terapêuticas.
O estopim foi a Bienal Mineira do Livro (2025), onde muitos beneficiários de vouchers usaram o crédito justamente para comprar livros de colorir em vez de obras literárias. A UBE teme que o mesmo aconteça na Bienal do Rio.
A questão é: livros de colorir são literatura? Para a UBE, não.
Ainda sobre o tamanho dessa moda, segundo a Nielsen BookScan (um provedor de dados para a indústria editorial de livros), em abril de 2025, já existiam 67 ISBNs de livros de colorir no mercado, com 294,67 mil exemplares vendidos—o que representa 2,09% do volume total de livros comercializados no primeiro trimestre.
E Você, O Que Acha?
Já aderiu à moda dos livros de colorir?
Comprou quantos livros e kits de canetinhas?
Acha que é só um passa-tempo ou enxerga valor terapêutico?
Para você, livro de colorir é literatura?
Conta aí nos comentários! E lembre-se: no meio de tanto consumismo, o importante é não perder a essência—colorir deveria ser divertido, não mais uma cobrança.
Dani Rabelo
