E hoje, 19 de junho, Chico Buarque completa 81 anos.

Eu sei que sou apenas uma, entre tantas pessoas, que possuem uma história que tem como trilha sonora uma, ou várias, canções de Chico Buarque.

São histórias em diversos cenários, com pessoas diferentes, algumas engraçadas, outras emocionantes, também não faltam as tristes, quando eu era criança, adolescente, adulta… Em algumas, nem sabia o significado daquela música, quem era Chico Buarque e, muito menos, a importância daquilo.

Acho que normalmente é assim. Os momentos importantes não vêm com um aviso de alerta ou algo parecido. Feliz daquele que consegue perceber isso ainda durante o seu desenrolar.

E hoje, 19 de junho, com Chico Buarque completando 81 anos, eu me permito lembrar e agradecê-lo por fazer parte de dois momentos, ocorridos em um intervalo temporal de mais de 40 anos, mas que se complementaram. Lembranças que, juntas, encerraram uma história. Pelo menos aqui. Pelo menos neste plano.

Quando eu tinha aproximadamente 5 anos, entre as músicas que eu cantava (ou achava que cantava) estava João e Maria. Uma canção que possui melodia de Sivuca e letra de Chico Buarque, e que foi lançada em 1977. Nesses momentos, eu era observada (e algumas vezes acompanhada) pelo meu pai.

Ele, que também era Francisco (e foi Chico para algumas pessoas), foi quem me apresentou ao universo das canções do outro Chico – por isso sou imensamente grata. Mas esse não é o foco deste texto…

Pulamos muitos anos.

Chegamos em dezembro de 2024. Eu, um quarto de hospital e os dois Chicos.

Na tentativa de trazê-lo para o presente, de fazer o tempo passar e de querer que aquele quarto frio de hospital se transformasse em algo diferente, lembrei-me daquilo que mais nos conectava: a música e Chico Buarque.

Coloquei a minha lista de canções. A cada primeiro acorde, uma história vinha à tona. Uma lembrança era revisitada. Até que ele me perguntou:

“Vai tocar João e Maria? Lembra que você cantava quando era criança? Você gostava muito de cantá-la.”

Eu não lembrava de cantar, mas lembrava dele sempre me dizer que eu cantava. A minha memória foi construída através da memória do meu pai. E, conforme o pedido, coloquei João e Maria para tocar.

Cantamos. Ele contou sobre a melodia de Sivuca, sobre a letra de Chico. E eu dediquei toda a minha atenção, como se aquela fosse a primeira vez que ele contava aquilo para mim. Eu só não sabia que seria a última.

E hoje, 19 de junho, com Chico Buarque completando 81 anos, eu agradeço por ele ter feito parte de um dos primeiros momentos importantes da minha relação com o meu Chico, com o meu pai, e também do nosso último momento importante neste mundo.

Realmente, os Chicos são especiais. Muito especiais.

Dani Rabelo

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