E cheguei ao fim da leitura da série PARA NOVA YORK, COM AMOR, de Sarah Morgan. Encerrar essa sequência de histórias com MANHATTAN SOB O LUAR fez valer todo esse esquema de pirâmide, afinal, são seis livros: três oficiais e três do spin-off.
A história de Harriet e Ethan, de alguma forma, me lembrou o casal do terceiro livro oficial, que é MILAGRE NA 5ª AVENIDA. Isso porque Eva e Lucas seriam a versão “além” de Harriet e Ethan: personalidades semelhantes, porém em escalas diferentes.
Em MANHATTAN SOB O LUAR, temos a última irmã Knight precisando lidar com a nova dinâmica com os irmãos (que estão vivendo seus relacionamentos) e, especificamente, a distância física da sua irmã gêmea. E, se não bastasse isso — afinal, os irmãos são muito unidos —, Harriet precisa lidar com o medo de viver (suas causas e consequências).
E foi exatamente por isso que esse livro, para mim, ficou à frente de MILAGRE NA 5ª AVENIDA (que, até então, era o meu número um da série geral). Aqui, Sarah Morgan conseguiu elevar o tom, fazendo a gente se deparar com as marcas que uma dinâmica familiar tóxica (e violenta) pode deixar em uma criança. Lembrando que essa criança será, um dia, um adulto.
Ainda sobre as colocações do parágrafo anterior, nessa história o foco principal é Harriet. E essa foi uma das diferenças que senti ao comparar com os enredos anteriores. Nos outros livros, conseguimos ver um pouco mais sobre os bastidores dos homens (os pares das nossas protagonistas). Já aqui, aquilo que fez Ethan ser o que é também nos é apresentado, porém 80% da história é sobre Harriet (e em nada acho isso ruim).
Se eu já gostava do fato de as protagonistas anteriores (exceto dos livros PÔR DO SOL NO CENTRAL PARK e FÉRIAS NOS HAMPTONS — para mim, a dosagem de chatice delas extrapola) não se colocarem como Merthiolate (aquelas que vão curar ou consertar os protagonistas), aqui, mesmo Harriet sendo aparentemente a mais frágil, ela dá uma demonstração de autopreservação e autovalor que é bonito de ler (e serve de inspiração).
Levando em conta os temas que fazem parte do enredo da Harriet, fico feliz que Sarah Morgan não romantizou. Ela pode não carregar nas tintas descrevendo com detalhes os acontecimentos, mas, as coisas estão lá, e ainda assim consegue ser “seca” nos sentimentos que fazem parte daquilo. Eu consegui sentir o medo, a raiva, a insegurança e a angústia da protagonista.
Gosto que, em MANHATTAN SOB O LUAR, a autora não joga no nosso colo finais perfeitos. Questões da vida da Harriet vão ter o desfecho que teriam se ela fosse uma pessoa real. E, de certa forma, isso é reconfortante se você tem uma vivência semelhante.
Para não dizer que não falei das flores, fica aqui o meu registro de que achei o momento do “vamos ficar juntos” um tanto corrido, e um epílogo seria muito bem-vindo.
Uma curiosidade: não sei se encontrei um padrão, mas tive a mesma ordem de experiência ao ler os três livros do primeiro ciclo da série e os três últimos. Gostei muito do primeiro, achei “hum” o segundo (por conta das protagonistas) e terminei com leituras que me deixaram com o coração quentinho — e tem resenha no blog dos livros: AMOR EM MANHATTAN, PÔR DO SOL NO CENTRAL PARK e MILAGRE NA 5ª AVENIDA.
Com MANHATTAN SOB O LUAR, Sarah Morgan encerra essa série com a sua melhor história. O melhor casal. Ela atende ao nosso desejo de leitoras de romances (que esperam um casal com química emocional e carnal), mas também entrega uma história que te provoca a pensar sobre relações familiares, autoestima e a aceitação/respeito do diferente.

