Lembro que na resenha que fiz sobre o primeiro livro do QUARTETO SMYTHE-SMITH, destaquei que ele certamente não seria o meu preferido da série, e muito menos de Julia Quinn. No entanto, ao terminar UMA NOITE COMO ESTA (o segundo livro da série), já posso garantir que este tem um enorme potencial para ser o favorito do Quarteto e que entra na lista dos três melhores escritos pela autora.

E já que estou começando pelo final, vale também dizer que talvez essa minha predileção pela história de Anne Wynter e Daniel Smythe-Smith tenha me lembrado algumas das obras escritas por Lorraine Heath (que é uma das minhas escritoras preferidas de romances de época/históricos).

Diferentemente dos outros livros que já li de Julia Quinn, em UMA NOITE COMO ESTA temos uma dedicação maior às questões individuais dos protagonistas. As passagens dedicadas à Anne, e tudo aquilo que está envolvido (levando em conta a época em que ela vive) é de causar revolta e tristeza. O que é ainda mais revoltante é destacar que, em pleno século XXI, mulheres ainda são encurraladas por homens que acham que nascemos apenas e somente para lhes dar prazer e lhes ser obedientes.

E, se nas histórias de Lorraine Heath a gente encontra críticas à estrutura social (e as consequências dela), no segundo livro do QUARTETO SMYTHE-SMITH, Julia Quinn nos entrega algo que (pode não ter a mesma profundidade de Lorraine), mas planta a sementinha para que a gente perceba como as questões de classe são cruéis. A relação entre patrão e trabalhador, a situação que uma governanta encontra nessa relação (não se sente pertencente aos demais trabalhadores, mas, também não é da família) e, ainda dentro disso, o machismo e o preconceito.

Sobre o protagonista, o representante da família Smythe-Smith, ele se tornou o meu favorito de todos os livros da autora. Ele traz a medida certa de humor, de romantismo, de coragem e de medo. Sim. Aqui temos um protagonista que não é o Super-Homem e está tudo bem quanto a isso. Daniel não é um personagem masculino que conseguimos encaixar em uma caixinha. Ele não é o libertino. Também não é o tímido. Não é o ranzinza ou o engraçado. Ele é “uma pessoa normal”, com um tanto de cada coisa. E esse perfil quase real foi o que fez com que eu me encantasse por ele.

Ler UMA NOITE COMO ESTA é se deparar com um romance de época que nos convida a reflexões importantes, que entrega suspense, ação, química entre os protagonistas e a certeza de que, quando Julia Quinn quer, sabe trazer tudo isso na medida exata dentro de uma ótima história.

Dani Rabelo

Nesta resenha exploramos a envolvente história de amor entre Anne Wynter e Daniel Smythe-Smith, que vai além do romance de época tradicional. O livro aborda com sensibilidade questões de classe social, machismo e a complexa posição de uma governanta na sociedade regencial, traçando um paralelo com as críticas sociais de Lorraine Heath. Com uma tela que inclui suspense, ação e uma química irresistível entre os protagonistas, a narrativa se destaca ainda por apresentar Daniel, um herói imperfeito e fora dos clichês que conquista o leitor por sua humanidade. Se você busca um romance histórico com profundidade, personagens bem construídos e reflexões relevantes, esta resenha mostra que “Uma Noite Como Esta” é uma ótima sugestão de leitura.

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