Como sempre, começo os meus dias (pelo menos os dias da semana) dando uma olhada em diversos sites (aqueles da mídia hegemônica, os progressistas e os de segmentos específicos). Ao abrir a página do G1, me deparei com a matéria intitulada: “O VIDEOCLIPE MORREU? ENTENDA POR QUE ARTISTAS POP NÃO INVESTEM MAIS MILHÕES EM CLIPES”.
Sim, essa manchete chamou a minha atenção. Talvez o motivo tenha sido o fato de ela atingir em cheio o espaço da minha mente dedicado às memórias causadas após assistir a clipes como “Thriller” de Michael Jackson, “Like a Prayer” da Madonna, “Take On Me” do a-ha, “Girls Just Want to Have Fun” de Cyndi Lauper, “Single Ladies (Put a Ring on It)” da Beyoncé, “Bad Romance” da Lady Gaga e os nacionais “Minha Alma” do O Rappa, “Maracatu Atômico” de Chico Science e Nação Zumbi, “Ela Disse Adeus” do Paralamas, “Kaya N Gan Daya” do Gilberto Gil e “Segue o Seco” de Marisa Monte. Sim, esses são apenas alguns e, certamente, você irá lembrar de outros.
E, sendo uma pessoa que estava ligada na televisão quando assistiu a esses clipes pela primeira vez, ler que a indústria da música, que vem tentando trocar o pneu com o carro andando diante do surgimento das redes sociais e dos streamings, considera que a produção dos clipes que conhecemos já não é mais uma opção é de cortar o coração.
A matéria não falou exatamente isso, mas a última “pá de cal” seria o encerramento das atividades da MTV Music, MTV 80s, MTV 90s (e assim vai) que eram dedicadas à reprodução de clipes. Apesar de se manterem no ar, você vai perceber, agora mais do que nunca, que esses canais estão focados em reality shows (quase todos de gosto duvidoso).
Mas, antes disso, como escrevi acima, tivemos o surgimento das redes sociais em massa e, com elas, a possibilidade de as pessoas poderem ver um clipe quando e onde quisessem (tirando o protagonismo e a exclusividade dos canais de TV), além dos formatos diferentes (vertical, mais acelerados, caseiros…).
Se antes toda uma estratégia de divulgação era pensada tendo o clipe como ponto principal (inclusive definindo a identidade daquele novo momento do artista), hoje ele não é mais visto assim.
Primeiro, que não basta um clipe. Segundo, que para atingir a maioria do público, é necessário investir em material para as diferentes plataformas. Diferente das emissoras de TV (que tinham a exclusividade na exibição), se você investe em apenas uma ou duas redes sociais, o seu alcance é muito reduzido. Como diz a matéria, “nenhum meio de comunicação alcança as massas por completo”.
E, talvez, você esteja achando estranho, afinal, se entrar agora em uma dessas redes sociais, certamente irá encontrar o clipe de algum artista. E o ponto é exatamente esse. Os grandes investimentos para a gravação dos icônicos clipes não existem mais. Não veremos mais clipes com produções milionárias. O que teremos (e já temos) são produções mais simples e em formatos diversos. Inclusive, precisamos incluir clipes que são feitos com trechos de shows (aquilo que a gente vê demais na galera do sertanejo). Custou baixo, alcance alto. Essa é a conta.
Outra coisa que também vem acontecendo, e aí temos uma nova versão dos clipes. Não seria mais a gravação de um material de somente uma música. Seria um clipe com um compilado de várias músicas de um mesmo álbum. Sabe quem fez isso? A nossa Gaby Amarantos. Ela fez um vídeo, em plano-sequência (filmado com celular), com trechos de músicas que fazem parte do álbum “Rock Doido”. O formato, que teve um custo muito menor por ser um único clipe gravado em um único local, chamou atenção internacional.
Ao final da leitura da matéria, mesmo vendo que a indústria está se adaptando, ainda é lamentável que novos “Take On Me” não irão surgir. Que gerações não terão a oportunidade de saber a sensação de expectativa ao ver o lançamento de um clipe e acompanhar as inovações criativas apresentadas em muitos deles. “Black or White” de Michael Jackson que o diga.
