Acho que não é a primeira vez que eu escrevo falando sobre a minha intencionalidade em fazer uma alternância dos gêneros das minhas leituras. Confesso que em 2025 a coisa não fluiu tanto quanto eu gostaria, mas, pelo menos, intercalei romances contemporâneos e de época/históricos.

A questão é que eu não sabia (e não sabia mesmo) que, na sequência de A MALDIÇÃO DO EX (um romance contemporâneo), eu iria “cair” em UM ALMA PELA METADE, de Olívia Atwater, que é um romance de época, mas, assim como o seu antecessor, também tem a sua dose mágica.

UMA ALMA PELA METADE chegou à minha estante por conta da sua capa (e não tenho vergonha de confessar que escolho, e julgo, livros pela capa). E aqui já afirmo que, diferente de tantos outros livros de romance hot com capas fofas que enganam (esse é um debate que precisa ser feito) e sem a indicação de idade para leitura, a capa do livro (Editora Galera Record), que é de Isadora Zeferino, condiz com o conteúdo. Temos um romance sem cenas quentes e/ou pegação, e está tudo bem.

No entanto, se você acha que a falta desses elementos faz com que a história de Theodora e Elias perca alguma coisa ou deixe de apontar assuntos relevantes, você está equivocada, ou equivocado. Nas suas 252 páginas, temos um enredo com elementos e personagens mágicos se somando a crítica social.

Quando se compara UMA ALMA ELA METADE com OS BRIDGERTONS (Julia Quinn), eu até entendo, mas para mim isso se encerra no cenário de época, na ansiedade pela temporada em Londres, pelas mães casamenteiras e pelos bailes. Tá. Para não ser injusta, talvez o livro de Benedict Bridgerton seja o que mais dialoga com a obra de Olívia Atwater, e isso acontece justamente pela inserção de situações em que a desigualdade social é mostrada. Mas Julia Quinn pega muito, muito mais leve.

Eu tenho uma predileção por livros que vão além do romance; então, essa história fez isso de uma forma que não foi superficial, também não foi a mais profunda, mas na medida certa para nos fazer pensar. E esses “pontos de realidade” são mesclados ao romance (que é muito fofo) e tudo aquilo que é mágico e fantasioso.

Uma menção especial para os últimos capítulos, que são o ápice da história. Me senti dentro do enredo, conseguindo visualizar aquilo que foi escrito. Senti aflição, senti raiva e não esperava pelo desfecho. E falando sobre o desfecho…

Uma Alma pela Metade foi um livro de 4 estrelas e quase, quase, não ficou com 3,5. A questão é que achei que algumas páginas extras sobre o pós-ápice cairiam muito bem. Um adendo, e considere essa uma questão minha: criei a expectativa de que a sequência do livro seria sobre dois personagens e descobri que isso não iria acontecer.

Um livro para pessoas acima de 14 anos. Um livro para quem gosta de um romance fofo, de uma protagonista nada melosa, um protagonista que encanta, e um universo mágico que não enfeita a realidade cruel da nossa sociedade.

Dani Rabelo

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