Talvez você já tenha escutado essa frase. Ela é da filósofa, economista e dirigente marxista Rosa Luxemburgo:

“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”

Também é dela uma das frases que acho mais potentes: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”. 

No dia 15 de janeiro de 1919, na Alemanha, há mais de um século, ela foi brutalmente assassinada. Mas antes de chegarmos a esse momento trágico de sua vida, afinal, ela tinha menos de cinquenta anos, quero trazer alguns fatos sobre essa importante pensadora marxista que nasceu na Polônia em 1871 e, desde a juventude, mergulhou de corpo e alma na militância revolucionária.

A primeira coisa que posso contar é que sua saída da Polônia e ida para a Alemanha foi motivada por um entendimento estratégico: sua luta deveria ser travada junto ao partido socialdemocrata mais forte do mundo. E esse partido era o da Alemanha.

Sabendo que Rosa Luxemburgo é uma herdeira direta da teoria de Marx, seu enfrentamento ao status quo contou com uma elaboração teórica profunda e original. Sua crítica se concentrava no modo de produção capitalista e em suas contradições insuperáveis, que ela via não apenas como econômicas, mas como destruidoras da própria teia social.

Ela, que também fez parte do Partido Social-Democrata Alemão e depois do Partido Social-Democrata Independente, fundou, com outros companheiros e companheiras, a Liga Spartakus (uma organização socialista, anti-imperialista e antimilitarista que atuou na Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial). Posteriormente, essa liga daria origem ao Partido Comunista da Alemanha (KPD).

Um dos debates centrais que Rosa Luxemburgo trazia à tona era sobre a desigualdade multifacetada gerada pelo capitalismo: entre classes, entre indivíduos e entre países. Ela denunciava quanto esse sistema destrói os vínculos sociais e o próprio mundo que habitamos, um processo sustentado pela exploração incessante dos trabalhadores.

Para Rosa Luxemburgo, a revolução deveria ter como protagonista absoluta a classe trabalhadora. Deveria ser movida por ela, com ela sendo o elemento principal e de vanguarda, em um processo de autoemancipação e não de ação por procuração.

Seu fim trágico, em 1919, foi consequência de uma emboscada de grupos paramilitares a serviço do governo social-democrata. Dentro do Hotel Eden, em Berlim, ela foi agredida violentamente. Um tiro na sua nuca deu por encerrada sua vida. Em seu corpo amarraram pedras para que afundasse, e ele foi jogado no canal Landwehr, um afluente do Rio Spree. Duas semanas depois foi encontrado. A versão dada pelo governo da época dizia que ela havia sido “linchada pelas massas”.

A execução foi uma tentativa clara de esmagar o movimento revolucionário e o levante espartaquista que agitava a Alemanha no período pós-guerra. Rosa Luxemburgo foi vítima do enfrentamento promovido pelo próprio Partido Social-Democrata da Alemanha, que, na época, governava provisoriamente o país após a abdicação do imperador Guilherme II. Nesse momento crítico, o partido aliou-se aos liberais e à burguesia, obtendo o apoio das oligarquias alemãs e atuando para desmobilizar quaisquer tentativas revolucionárias.

Estamos falando aqui de uma mulher, imigrante e judia, que se tornou um símbolo poderoso não apenas do socialismo revolucionário, mas também do movimento feminista. Rosa Luxemburgo era uma liderança feminina em um tempo em que a esmagadora maioria das lideranças políticas eram homens.

Ela acreditava que a emancipação feminina só se realizaria pelas mãos das próprias mulheres. Em sua análise, o capitalismo precisa da desigualdade entre homens e mulheres para se reproduzir, utilizando a opressão de gênero como uma ferramenta de divisão e exploração.

Quer conhecer algumas obras escritas por Rosa Luxemburgo? Você pode começar por:

  • “A Acumulação do Capital” 

  • “Questões de Organização da Social-Democracia Russa”

  • “Greve de Massas, Partido e Sindicatos”

  • “Reforma ou Revolução?”

E fica aqui uma dica final: a clássica biografia de Rosa Luxemburgo escrita por Paul Frölich. No Brasil, ela foi publicada através de uma coedição das editoras Boitempo e Iskra, sendo uma porta de entrada fundamental para compreender a trajetória e o pensamento desta que é uma das figuras mais corajosas e luminosas do século XX.

Dani Rabelo

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