Das coisas que a gente até esperava, mas ainda fica impactado quando é oficial: o fim dos orelhões.

Se você é da geração que nunca dependeu de um orelhão para se comunicar, se não sabe o que é comprar uma tira com fichas telefônicas, escutar o barulhinho que fazia antes da ligação terminar ou passar raiva depois do orelhão engolir a ficha sem completar a ligação, certeza de que você sabe o que estou sentindo.

Também vale destacar o tempo na fila para esperar a sua vez de fazer uma ligação, o uso do orelhão como ponto de encontro para curtir uma festa (quem é de João Pessoa/PB e marcava de encontrar a turma no orelhão do Posto 99 para aproveitar o bloco Muriçocas do Miramar, estamos juntos) e os “classificados” e recadinhos escritos no lado de dentro da estrutura.

Eu não só usei orelhão como vi a transição para o cartão telefônico (mas não era do grupo que colecionava). No entanto, para além de ter histórias e histórias para contar sobre eles, e saber que essa decisão é justificada pela popularização dos celulares e “o fim” das linhas fixas, como a coisa toda vai acontecer?

E essa minha preocupação não é nada absurda quando sabemos da importância desses equipamentos. Há algum tempo, esse era o único telefone que as pessoas tinham acesso. Linhas particulares de telefone custavam caro e eram passadas de pais para filhos como item de herança.

Apesar da informação de que esse serviço será encerrado no Brasil, 33 mil orelhões estão ativos no país, e muitos deles em cidades em que a telefonia móvel não chega de forma eficiente e/ou pessoas ainda não possuem acesso ou não conseguem usar o celular. Acredite, ainda existem pessoas que não sabem usar um celular. O nosso país é enorme e com realidades que podem, e são, totalmente opostas.

Levando esse importante fato em consideração, pesquisei e consegui a informação de que a Anatel determinou que as empresas, ao mesmo tempo que irão retirar os orelhões, terão que investir em redes de banda larga e telefonia móvel (de preferência que funcione de verdade). Orelhões serão mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível, mas só até 2028.

E essa medida da Anatel é de extrema importância. O que não pode acontecer é que comunidades, é que pessoas fiquem incomunicáveis.

Sendo as justificativas plausíveis ou não, o lucro dessas empresas não pode se sobrepor à qualidade de vida das pessoas, à forma como elas se comunicam.

Se para mim, e para você, a retirada dos orelhões “pega” pela nostalgia, para essas empresas “pega” pelo lucro. Para outras tantas pessoas, pela possibilidade de falarem com o mundo.

Dani Rabelo

Deixe um comentário