2025 foi um ano recorde para os super-ricos, e o Brasil concentra o maior número de bilionários da América Latina.
O que eu coloquei foi apenas um resumo do que foi divulgado pela Oxfam agora em janeiro, especificamente durante a abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, no último dia 19.
Antes de focarmos no Brasil, deixa eu te contar como estão os super-ricos no mundo.
Temos uma desigualdade crescente: afinal, os doze bilionários mais ricos do planeta concentram mais riqueza do que as quatro bilhões de pessoas mais pobres do mundo. Isso equivale à metade da população global.
Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de três mil pessoas, com uma riqueza que chega a mais de R$ 91 trilhões. Esse crescimento nas fortunas seria, segundo a Oxfam, suficiente para erradicar a pobreza extrema vinte e seis vezes.
E se de um lado temos esse crescimento acelerado dos super-ricos, do outro temos pessoas que enfrentam insegurança alimentar, uma em cada quatro. Metade da população mundial vive abaixo da linha de pobreza estipulada pelo Banco Mundial.
E a gente concorda quando a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago,quando diz que esse cenário não pode ser tratado como um fenômeno natural. Na avaliação dela, esse mundo profundamente desigual é construído através de decisões políticas. Eu diria que é uma “união do mal” que reúne governos, potências mundiais e os próprios bilionários.
Um fato interessante de colocar, que também consta no relatório, é que esse crescimento dos super-ricos também impacta o meio ambiente. E sabe por quê? Pelo fato de que essas pessoas concentram seus investimentos justamente nos setores mais poluentes, e seu estilo de vida é baseado no alto consumo de recursos naturais. Só para você ter uma ideia, logo nos primeiros meses de 2025, os super-ricos já tinham esgotado sua cota de carbono.
E agora chegou o momento de falar sobre o Brasil. E temos a triste notícia de que lideramos o ranking de bilionários na América Latina e Caribe: concentramos o maior número de bilionários. Apenas 66 pessoas acumulam juntas mais de R$ 1 trilhão.
E vamos para mais um dado: esse valor, de mais de R$ 1 trilhão, equivale a quase 20% de todo o orçamento da União para o ano de 2026.
E aqui precisamos falar que a maior parte da arrecadação no Brasil recai sobre o consumo. Isso significa que, independente do lugar na pirâmide social, pagamos o mesmo valor no imposto aplicado ao… pão francês. A questão é que esse imposto, o do pão francês, é pago por Joana que ganha R$ 1 milhão por mês, por Joaquim que ganha R$ 5 mil, e por Jeremias que passa o mês com R$ 500,00. Consegue perceber o problema dessa tributação com base no consumo?
Mas calma. Em 2025, tivemos a reforma do Imposto de Renda, com a isenção para quem ganha até R$ 5 mil e a proporcionalidade dependendo da faixa salarial. Isso é algo muito bom e que deve ser comemorado.
Porém, é fundamental que aconteça a taxação de lucros e dividendos, das grandes fortunas e das heranças. A partir do momento em que a concentração extrema de riqueza acontece, temos o aprofundamento das desigualdades sociais.
Por isso é mais do que urgente o debate e as ações efetivas para a taxação dos mais ricos, rompendo esse ciclo perverso que transforma a riqueza recorde de poucos em desigualdade e destruição ambiental para todos.
