Se alguém que já conviveu comigo tempos atrás soubesse que, ao meu lado (o esquerdo, óbvio), estão separadas as roupas e acessórios que irei usar todos os dias que me programei para foliar, certamente perguntaria: “Quem é você?”.
Talvez eu devesse ter contextualizado antes. Afinal, não é que eu fosse totalmente avessa à Folia de Momo. Tirando a época de criança, que a gente gosta de pular Carnaval mesmo sem saber o que aquilo significa, e um curto período da adolescência em que peguei carona na animação de terceiros… A verdade é que, na minha vida plenamente adulta, eu fui muito mais uma NÃO-FOLIÃ do que uma FOLIÃ.
Ah! Também é válido dizer que eu amo sambar (sei sambar – e não como a Virgínia, mas também nem chego aos pés da Paola), gosto de samba (inclusive de escola de samba), de axé, de frevo (Deus! Frevo é tuuudo). Acima de tudo, eu AMO a atmosfera criada pelo Carnaval.
Você também sente que as cores parecem ficar mais vivas, os cheiros mais cítricos, as músicas mais contagiantes? Parece que a gente sente vontade de sorrir mais, de dançar mais, de jogar os problemas para depois da Quarta-Feira de Cinzas… Tudo é mais. Tudo é muito. Ou tudo é menos e menor, pelo menos durante esses dias.
A questão é que, um pouco antes da pandemia (2020), a coisa carnavalesca me pegava cada vez mais. O incômodo de não pular, de não me fantasiar, de não aproveitar ao menos um dia dessa catarse nacional.
O ano era 2023 (logo ali) e eu dava oficialmente os primeiros passos para assumir a carnavalesca que existia dentro de mim (dentro dos meus limites). Fiz as minhas primeiras tiaras, escolhi os temas. Nada muito elaborado, porém foi perfeito.
Sabe aquela sensação de estar de volta para um lugar que você já conhece? Ou, ao menos, voltar para um lugar com o qual você já possui alguma familiaridade? Foi exatamente assim que eu me senti.
Em 2024, a dedicação foi maior, e ainda menor se comparada com 2025 (e, inclusive, esse foi um dos melhores momentos do ano para mim). Agora, em 2026, estou aqui dedicada a me curar de uma crise de sinusite para estar inteira nos meus três dias de folia. Eu disse que respeitava os meus limites, não foi?
Assumir-me uma pessoa que verdadeiramente gosta de pular o Carnaval depois dos 40 anos fez com que eu me reconectasse com coisas e sentimentos que, por muito tempo, achei que não queria ou não gostasse. E por qual motivo fazemos tanto isso conosco: deixar acreditar que algo não nos cabe, quando a verdade é outra?
Sendo uma foliã em estágio probatório, permita-me dizer que neste Carnaval estarei fantasiada, com tiara, glitter, leque para encarar o calor, tênis confortável, hidratada e pronta para a festa que me recebeu de braços abertos e tornou-se, assumidamente, a minha preferida.
