Acabo de ler uma matéria na PublishNews intitulada “Protetores do cérebro: livros reafirmam papel na defesa da saúde mental”, e foi inevitável não trazer para a minha realidade e entender o tempo que dedico à leitura e às redes sociais (especificamente aos vídeos curtos – tema abordado na matéria).

Que o consumo desses vídeos curtos tem diminuído o poder de concentração, fomentado a impaciência com conteúdos “mais longos” e estressado mais do que relaxado, não é novidade; porém, essas são percepções que temos. A matéria trouxe o resultado de uma pesquisa feita pela Revista Internacional de Pesquisa Científica (publicada em fevereiro de 2025) com jovens entre 15 e 18 anos que assistiram a vídeos do TikTok ou leram um livro por sete minutos e, em seguida, tiveram de completar tarefas focadas na avaliação da memória e da atenção.

Sabe qual foi a constatação dos pesquisadores? Esses jovens tiveram mais dificuldade em responder perguntas, precisando de mais tempo para pensar as respostas após assistirem aos vídeos do TikTok. Não satisfeitos, os pesquisadores realizaram uma nova pesquisa, publicada em maio (com a participação de mais voluntários e com um acompanhamento para saber os efeitos em um prazo maior), e foi verificado que o alto consumo desses tipos de vídeo afeta negativamente os estudos.

Ainda sobre o que a leitura faz no nosso cérebro, ela impede “a dispersão comumente observada ou experimentada durante o uso de telas”. Ainda de acordo com o texto da PublishNews, “esse ‘ancoramento’ é um contraponto importante às relações frequentemente superficiais que as pessoas mantêm com os conteúdos de redes sociais e de ferramentas de inteligência artificial”.

E não é apenas ler. É ler e compreender. Identificar os personagens, seus diálogos, acompanhar as reviravoltas, perceber as mensagens subliminares e decodificar as informações complexas. E como vamos conseguir fazer tudo isso se a gente não se concentra?

Manter-se concentrado (especificamente em uma leitura) também é treino. E como é uma habilidade que pode ser adquirida, ela pode ser “desaprendida”. Ainda no texto do site, de acordo com o professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Daniel Martins de Barros, “os vídeos curtos são uma prática que nos destreina a sustentar a atenção, o que no fim impacta essa habilidade de forma geral, prejudicando a leitura”.

Certo. Foi neste momento da leitura da matéria que eu recordei o tempo que passei com o celular na mão passando pela timeline infinita do TikTok. Momentos que achei serem minutos e que foram horas. Na explicação da psicóloga, psicoterapeuta e especialista em psicossomática, Camila Tuchlinski, “esses conteúdos são recheados de estímulos visuais e auditivos, com legendas que aparecem e desaparecem em uma fração de segundo. Durante a visualização, o ciclo da dopamina, que é um processo neuroquímico associado à gratificação, é ativado no cérebro”.

A questão é: aquilo que era para relaxar te deixa mais ativo (nenhuma novidade, mas é sempre chocante saber que isso não é um “achismo”, isso é real).

Sabe qual é o meu maior medo (e aqui falo de mim mesma)? Perder a minha capacidade de ficar horas presa em um livro. Porém, diante do mundo em que vivemos (e como sou comunicadora social e não só trabalho com essas redes sociais como também tenho as minhas), fica impossível não consumir esse tipo de conteúdo. E isso também é tratado na matéria.

Sabe qual é a palavra-chave? Equilíbrio.

A questão é ter uma rotina que inclua momentos de leitura e de ócio (para estimular a reflexão e a criatividade), treinando assim a nossa concentração. Ficou 30 minutos no TikTok? Passe 30 minutos lendo um livro, 30 minutos desenhando, tocando, pintando, jogando paciência…

Talvez, ao ler este texto, você entenda que estou jogando “a água suja do banho do bebê junto com ele”, mas também sabemos que a coisa não é bem assim. O próprio texto destaca que o mesmo TikTok que pode transformar a nossa concentração em fumaça também é um canal que tem dado a sua contribuição na promoção de livros e autores (acho que esse debate pode ser aprofundado, mas ficaremos para uma outra oportunidade).

E, finalizando este texto, queria deixar a informação de um estudo que mostrou que apenas seis minutos diários de leitura são suficientes para reduzir o estresse em 68%.

Já escolheu a sua leitura de hoje?

Já correu do TikTk hoje?

Dani Rabelo

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