E neste dia 7 de abril, Dia do Jornalista, a gente lembra o editorial escrito pelo jornalista, humorista, escritor e desenhista Millôr Fernandes (1923-2012) na edição de número 300 do jornal “O Pasquim”. Era a primeira edição publicada sem os cortes feitos pela censura prévia exercida sobre o tabloide humorístico carioca desde 1970.
Alguns consideram esse (a suspensão da censura prévia em jornais e revistas) como um “gesto de distensão lenta, gradativa e segura dos generais Geisel e Golbery”. O primeiro a sentir essa “frouxidão” da censura foi “O Estado de S. Paulo”, significando que outros veículos da imprensa escrita ainda eram massacrados por ela (a censura): a revista “Veja” (até 1976), o semanário “Opinião” (até 1977) e “O São Paulo”, jornal da Arquidiocese paulistana (até 1978). “Movimento” funcionou sob censura prévia de abril de 1975 a junho de 1978.
Na edição 300 de “O Pasquim”, o editor Millôr Fernandes publicou uma de suas mais famosas sentenças: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. No editorial, que teve como título “Sem Censura”, Millôr disse aos leitores que o jornal estava liberado do exame prévio dos textos e ilustrações; porém, concluiu com um alerta: “Sem censura não quer dizer com liberdade”.
O texto seria um teste para os limites do relaxamento da censura. E a ditadura não passou nesse teste.
“O Pasquim”, edição 300, teve todos os seus exemplares apreendidos e Millôr deixou o jornal.
