Nesta quinta-feira, 28, foi apresentada a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – Ano-base 2025, e os números de vendas e faturamento das editoras com os livros impressos foram animadores para toda a comunidade literária. Se você leu a notícia MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO CRESCE EM 2025 E CELEBRA BONS VENTOS PARA A LITERATURA, sabia que ainda há mais: os livros digitais (e-book e audiobook) também são destaque com um crescimento nominal de 10% (5,5% se descontada a inflação).

Realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), com apoio do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), os resultados trazidos pela Nielsen BookData mostram que, além do aumento nas vendas e no faturamento, pela primeira vez a ficção lidera o ranking de unidades vendidas entre os gêneros “à la carte” (aquele sistema de compra de livro – não faz parte de bibliotecas digitais ou clubes de assinatura).

Outro ponto importante é o aumento do faturamento dos livros digitais vendidos para as bibliotecas digitais (aumento de 24% se comparado com 2024). Se formos para o modelo assinatura, o crescimento foi significativo: 40%. E esse percentual reflete o aumento nas assinaturas de e-books nas plataformas, que em 2025 subiram 63%.

MAS VAMOS POR PARTES

Sou uma leitora adepta a todos os formatos de livros: físicos, e-book e audiobooks. Deparar-me com os resultados da pesquisa da CBL, especificamente para os livros digitais, é muito bom, afinal, estamos falando de preços menores para o consumidor e acessibilidade.

Sei que estamos tratando de vendas e faturamento, mas, caso você, assim como eu, tenha curiosidade de saber quantos livros digitais foram lançados e quantos as editoras contam no seu catálogo, segue a informação.

Em 2025 foram lançados 13,8 mil títulos, sendo 85% e-book e 15% audiobooks. Vamos detalhar mais? Dessas obras, 36% são da categoria Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP), 30% de Não-Ficção, 30% de Ficção e 4% Didáticos. Em acervo, as editoras possuem 149 mil títulos, sendo 91% que já pertenciam ao catálogo e 9% lançamentos. Nesse grupo, 90% são e-book e 10% audiobooks.


Neste momento é necessário informar que participaram da pesquisa 110 editoras (que representam cerca de 70% do mercado), mas a Amazon não faz parte dessa lista (e aqui estamos falando sobre os livros autopublicados produzidos através do Kindle Direct Publishing – KDP). Dentre as editoras que encaminharam seus dados para a Nielsen BookData, estão aquelas que são independentes e as consolidadas no mercado, resultando em um grupo de empresas pequenas, médias e grandes.

UM MERCADO EM CRESCIMENTO, COM CERTEZA

Como você deve ter percebido nos parágrafos acima, as editoras separam as vendas dos livros digitais em grupos: À la carte e Assinaturas. Indo para o grupo À la carte, em 2025 foram vendidas 13,2 milhões de unidades: 93% e-books e 7% audiobooks. Foram 41% obras de Ficção, 39% de Não-Ficção e 20% CTP.

Se compararmos com o ano anterior, e juntarmos e-books e audiobooks, o crescimento foi de 13% nos livros de Ficção (5.393 unidades), 9% Não-Ficção (5.195) e 1% CTP (2.669). Quer saber apenas os números dos e-books? O aumento na venda de obras de Ficção foi de 13% (5.239), 7% de Não-Ficção (4.456) e 1% de CTP (2.667).

Fazendo uma conta básica de subtração, conseguimos extrair que as editoras venderam 154 audiobooks de Ficção, 739 de Não-Ficção e 2 de CTP, um total de 895 audiobooks. Você pode olhar esses números e achar pouca coisa, mas precisamos ponderar que: muitos dos audiobooks de Ficção são produzidos pela Amazon/Audible (através das publicações do KDP – e esses não estão inclusos na pesquisa), os audiobooks estão em um processo de entrada e popularização no mercado (inclusive, com gravações mais elaboradas) e temos um crescimento em todas as categorias, sendo uma projeção positiva para o próximo período, que deve se confirmar na pesquisa com 2026 como ano de referência.

Indo para o faturamento da venda À la carte dos livros digitais, as editoras chegaram a R$ 188,2 milhões (um crescimento de 5,8%), e na fatia desse bolo as obras de Ficção contribuíram com 15%, Não-Ficção com 12% e CTP com 5%, além de que 97% foram de e-books e 3% de audiobooks.

MENOS TELAS PARA AS CRIANÇAS, BLIBLIOTECAS VIRTUAIS E CURSOS ONLINE

Preciso confessar que esses detalhes da pesquisa fazem com que ela seja ainda mais interessante, e o resultado, inclusive, nos leva a refletir sobre o impacto de políticas públicas e posturas da sociedade.

Quer entender melhor do que estou falando? No dia 13 de janeiro de 2025 foi sancionada pelo presidente Lula a Lei Federal 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares e aparelhos eletrônicos por estudantes em todas as escolas públicas e privadas do Brasil, inclusive nos recreios e intervalos. O uso de telas só é liberado para fins estritamente pedagógicos, sob orientação dos professores, ou por motivos de saúde e acessibilidade.

Vale lembrar que a lei não proíbe totalmente o uso de celulares, mas restringe seu uso durante aulas, recreios e intervalos, para que os alunos possam se concentrar nas atividades diárias e interagir com outras pessoas. O uso ainda é permitido para fins pedagógicos com autorização do professor e para casos de acessibilidade, saúde e segurança.

Diante disso, será que podemos associar a implementação da lei com a queda de 52% no faturamento das editoras com a venda de livros digitais para as Plataformas de Educação? Estariam as escolas voltando para os livros físicos? É uma grande possibilidade.

Na direção oposta, o faturamento com a venda de livros digitais para Bibliotecas Virtuais teve um crescimento de 24%. Acredita-se que esse percentual vai aumentar em 2026, afinal, foi neste ano que tivemos o lançamento do MEC Livros (a biblioteca virtual lançada pelo Governo Federal através do Ministério da Educação).

Outro dado de faturamento que consta na pesquisa é o de livros virtuais para Cursos Online, que aumentaram 22,9% se comparado com 2024.

Seguindo para a venda para plataformas e assinaturas, as editoras aumentaram seu faturamento em 39,8%. Fazendo uma divisão, 71% desse ganho foram dos e-books e 29% dos audiobooks (aqui, 63% dos títulos são de Ficção – percebemos uma tendência aqui?). O crescimento nas vendas dos livros digitais foi de 4% para os audiobooks e 63% para os e-books.

AINDA NÃO SÃO BILHÕES, MAS SÃO MILHÕES

Fechando, a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – Ano-base 2025 faz um comparativo entre as vendas de livros impressos e digitais pelas editoras. No total, o faturamento com os livros físicos foi de R$ 4.512.720,00 bilhões e R$ 453.695,00 milhões com os digitais. Temos uma diferença de casas decimais, mas os números do mercado de livros digitais se mostram promissores e crescentes. Em percentual, tivemos um crescimento de 10% para os digitais e 7,7% para os impressos. Uma ótima notícia.

É diferente ter a percepção de que o mercado literário mudou, achar que as pessoas estão consumindo mais livros digitais, falando mais de audiobooks, prevendo que leis e políticas públicas interferem neste setor (e ainda não estamos vivendo o fim da Escala 6×1, mas, quando efetivamente acontecer, espero que isso se reflita nas próximas pesquisas); outra coisa é ver isso materialmente confirmado.

Esse tipo de pesquisa não funciona apenas para o mercado, funciona para todo mundo. Serve para pensarmos no acesso ao livro (seu formato, preço, espaços…). Serve para debater o preconceito contra os audiolivros (que são, sim, livros). Serve para discutir a pirataria (que já chegou nos audiobooks).

O Brasil pode não ocupar uma boa colocação na lista de países que “mais lê”, mas não podemos dizer que o cenário não é promissor. É promissor, bastante promissor.

Dani Rabelo
Resumo: O mercado editorial brasileiro encerrou 2025 com resultados expressivos, segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. O faturamento total com livros impressos alcançou R$ 4.512.720,00 bilhões e R$ 453.695,00 milhões com os digitais, registrando crescimento nominal de 10% — superior aos 7,7% dos impressos. Pela primeira vez, a ficção liderou o ranking de unidades vendidas no sistema “à la carte”. As assinaturas de e-books cresceram 63%, impulsionando o faturamento em 40%. Foram lançados 13,8 mil títulos digitais, sendo 85% e-books e 15% audiobooks. A pesquisa também revela impactos de políticas públicas: a Lei Federal 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, pode ter contribuído para a queda de 52% no faturamento com plataformas de educação. Em contrapartida, as vendas para bibliotecas virtuais cresceram 24%, com expectativa de alta em 2026 devido ao lançamento do MEC Livros. O mercado de livros digitais mostra-se promissor, com destaque para o crescimento da ficção, a popularização dos audiobooks e a diversificação dos canais de venda, incluindo assinaturas, cursos online e bibliotecas digitais. A pesquisa ouviu 110 editoras, representando cerca de 70% do mercado, excluindo a Amazon/KDP.

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