Desde o dia 20 de maio, os leitores que possuem Kindles lançados antes de 2012 não contarão mais com as atualizações do software e não poderão mais baixar novos livros. O anúncio foi feito publicamente no dia 8 de abril deste ano, e a recepção não foi nada boa.
Os usuários do leitor eletrônico se sentiram “traídos” pela Amazon, correndo para estocar livros, mas foi confirmado que as publicações já baixadas irão permanecer no aparelho. Também existe um movimento de indução, de certa forma forçada, para que essas pessoas façam a troca por um novo Kindle. Cupons de desconto estão sendo encaminhados aos usuários mediante a devolução do aparelho antigo.
Levando tudo isso em conta, creio que não é um absurdo dizer que se trata de uma obsolescência nada discreta. A obsolescência dos aparelhos eletrônicos já é algo que existe, porém, de certa forma, é velada. A Amazon, neste caso, fez algo escancarado.
Outro ponto de debate que também precisa ser feito é a “ilusão de propriedade no Capitalismo Digital”. Destaque para o fato de que esse é um debate que também pode ser feito com relação às redes sociais, já que as usamos como se fossem um espaço nosso, quando, na verdade, é apenas um local emprestado (alguém aqui lembra do finado Orkut?).
Essa decisão da Amazon fez muitos de nós, que fazemos parte desse ecossistema digital, lembrarmos que os livros baixados não são realmente nossos. Não como os livros físicos que temos na nossa estante.
Apesar de a empresa dizer que os livros que já estão no aparelho permanecerão nele (mesmo após a suspensão do suporte), se o Kindle apresentar algum problema e for feita uma restauração de fábrica, ou desvinculação da conta, ele ficará inutilizado. Para acessar os seus livros, só será possível através de outro Kindle ou pelo aplicativo.
Ah! Ainda temos o conhecimento de uma movimentação para o uso desses Kindles “ultrapassados” como leitores digitais analógicos. Será possível usá-los para ler livros em alguns formatos como .epub e .pdf, mas aqui entramos em uma seara muito delicada: a da pirataria de livros. E esse é um debate que os leitores precisam fazer.
Em resumo, acho que a Amazon fez um grande desserviço para o mundo. Mas, lembrando que é uma empresa movida por uma lógica essencialmente capitalista (e sabe muito bem como aplicá-la), como diria Caetano Veloso: nada de novo sob o sol.
Dani Rabelo

